sexta-feira, 30 de março de 2012

Na serra de Tavira ainda há alguns corajosos que vestiram os oleados e calçaram as galochas para ver o Rally. Coragem malta que o dia está agreste. Eu já fiquei encharcada da cintura para baixo e já sequei com a ventilação do carro pelo menos 3 vezes esta manhã. Aposto que a minha semana de férias vai ter espirros a acompanhar.

quinta-feira, 29 de março de 2012

Ver a Anatomia de Grey faz-me filosofar demasiado. Neste momento a Meredith Grey está a sonhar como seria a sua vida se tivesse feito outras escolhas. Curioso, eu penso nisso quase diariamente: como é que teria sido a minha vida se todas as escolhas tivessem sido diferentes?
Se as escolhas do meu pai tivessem sido diferentes, ele talvez não tivesse ficado doente. Se o meu avô não tivesse dado o lugar dele a um compadre na fila da moagem do azeite para que o homem regressasse mais cedo a casa não estaria no sítio exacto à hora exacta para ser atropelado e não tinha morrido. Se o condutor que o matou não tivesse decidido voltar à tasca para beber mais um copo, não teria feito uma manobra brusca e não o tinha apanhado na berma da estrada.
É como se o universo se conjugasse para que tudo acontecesse à revelia daquilo que esperávamos que acontecesse. Fico sempre intrigada com a conjugação das coisas. Tu é que escolhes o caminho ou o caminho é que te escolhe?
Então, aqui estou eu, a filosofar... e com medo das decisões. De todas as decisões. Como se qualquer decisão, até a de me levantar às 7h31 em vez de me levantar às 7h30 esta manhã pudesse ter alterado toda a minha existência. E talvez tenha alterado, só que eu ainda não sei.
Eu já conhecia o homem com quem vou casar. Conheci-o na universidade. Uma noite o namorado da minha colega de quarto ficou a dormir lá em casa e levou-o para dormir lá também. A minha amiga dizia-me que ele era mesmo indicado para mim. Ficámos a conversar na varanda durante uma série de tempo. Não nos encontrámos mais depois disso, mas curiosamente começámos a namorar pouco tempo depois... com outras pessoas entenda-se.
Para ele foi a primeira relação séria (nunca percebi se foi amor pela forma como fala dela). Para mim, foi o meu primeiro amor. Já tinha tido achaques adolescentes daqueles que achamos que nos matam de dor e que são, à época, com certeza, amor, tragédia...Já tinha tido uma paixão avassaladora. Já tinha tido amor platónico. Daquela vez foi amor. E ao contrário dos contos de fadas não fomos felizes para sempre.
Nem ele foi. E, por isso, anos depois o mesmo amigo que o tinha levado a minha casa, esqueceu-se de uma chave e teve de pedi-la à mulher (a minha colega de quarto), e este ano vamos casar. E já não é uma amor adolescente. Pelo menos acho que não. A gente discute para caraças sobre coisas parvas, mas nas coisas sérias, por mais que digamos o contrário, estamos de acordo.
Nós não podemos ter filhos, pelo menos de forma natural. Estamos à espera de uma consulta. E, de repente, um homem que dizia que só nós os dois seríamos felizes, é o primeiro a querer ir à consulta. Não sei se é para me fazer feliz, se é porque também percebeu que queria ter filhos, mas quer ir à consulta.
Nestas alturas penso se foi o destino que me fez estar aqui, em 2012, sem um pai e sem um avô para me levarem ao altar (que era uma decisão que me atormentava em criança quando sonhava com o meu matrimónio), à beira de casar com um homem com quem não posso conceber mas que nem sonho em deixar por causa disso (apesar de até há bem pouco tempo o meu grande sonho seria ter pelo menos 3 filhos) e com um emprego que me obriga a estar a uma secretária quando estou sempre em pulgas para estar em movimento.
Somos nós que escolhemos o caminho ou ele é que nos escolhe?
Tenho de deixar de ver a Anatomia de Grey... Ou não, porque gosto de pensar que, por maior que uma adversidade possa ser ou parecer aos nossos olhos, cada um de nós está exactamente onde deveria estar!

23h55>> Acabei de descobrir que ele guardou o primeiro cartão de aniversário que lhe dei, há mais de 6 anos, quando ainda nem namorávamos! E no episódio da Anatomia de Grey, depois de terem tomado caminhos totalmente diferentes, todos acabaram exactamente no mesmo lugar. Talvez seja mesmo assim, quaisquer que sejam os caminhos, cada um de nós está exactamente onde deveria estar!
Todos os dias quando vejo os jornais nacionais mais correntes fico enjoada. Então isto é coisa que se publique?
Lembrei-me do voyeurismo mórbido em que vivemos hoje ao ver no Correio da Manhã (que mais parece o Crime, o Diabo ou algo assim do género) uma fotografia do jovem que morreu em Lloret estatelado no meio do chão.
Depois recordei-me do vídeo do Saddam que fez com que algumas pessoas, incluindo crianças, morressem ao imitarem a situação.
Não foi nada disto que nos ensinaram nos bancos da escola. Os editores costumavam ser mais cautelosos e por isso a única coisa positiva no campo da ética e deontologia jornalística nestes últimos dias foi a notícia de que a Al Jazeera não irá publicar as imagens dos ataques em Toulouse.
Ignorava completamente a existência deste senhor, ou tendo lido algo escrito por ele nunca lhe fixei o nome. De qualquer forma, lida a selecção de frases feita pela Sónia Santos, acabei de ficar fã.

Grande tarde passada a ouvir este senhor. Já me tinham falado muito do "peruano" na ESGHT. O professor Carlos Vieira é especialista em Getsão das Organizações e, acima de tudo, pareceu-me um excelente orador motivacional. Realçou a importância da confiança, do trabalho de equipa e da partilha, tanto no trabalho como na vida. Diz que os portugueses sofrem muito de inveja e de pessimismo e eu lembrei-me logo da minha tia que teima em dizer-me para não me meter em assados e para ficar quieta quando eu falo em enveredar pela política (a começar - e talvez a acabar - pela junta de freguesia da terrinha).

Infelizmente acho que as suas dicas vão cair em saco roto. Há malta que vai continuar a colocar os outros para baixo, a generalidade das pessoas não vai procurar paixão no que faz, muitos vão continuar a não ensinar o que sabem aos outros com medo de serem ultrapassados.

Que forma é esta que temos de estar na vida?

quarta-feira, 28 de março de 2012

Definitivamente vou tirar a mota da garagem (quer dizer, primeiro tenho de a arranjar). A EN 125 já está impossível e ainda não temos turistas.
Senhores condutores com carros que só andam a 50 km/h, por favor façam um jeitinho e encostem-se às bermas largas que existem em tantos tantos sítios da 125 para que a malta possa passar e andar assim um 'cadinho mais depressa e talvez chegar ao emprego antes da hora do almoço!

terça-feira, 27 de março de 2012

Coisa mai' linda...

... Que é esta cidade nao acham?

Adivinhem lá onde é?

Estou apaixonada...

... por este livro:

Apesar de ele ter dito quaisqueres em vez de quaisquer o homem escreve lindamente. As viagens descritas no "SUL" lembram-me em alguns casos os sons, as cores, os cheiros do Brasil, de Angola, de Praga (onde pela primeira vez senti cócegas no nariz por causa da neve e aquilo soube tão bem), até do interior "desquecido" e "ostracizado" de Portugal, de tantos sítios onde tive a felicidade de já ter estado.
Os sons e sabores e cheiros e cores nem sempre são os melhores. Muitas vezes são maus mesmo. Mas são diferentes, e por serem novidade tornam-se bons, tornam-se sensação, história para contar a outras gerações.
Quando falo em Angola não é para dizer apenas "Eu já lá estive", é antes de mais para me recordar disso, e da alegria da viagem, da chegada e da estadia. Só a partida é que não sabe bem, mas o encanto de uma viagem curta é a paixão que deixa e a vontade de regressar, e cada vez que se regressa talvez se leve um olhar novo, pronto a descobrir ainda mais coisas, a partilhar mais experiências, a enriquecer mais a vida de quem se cruza.
Mais importante que isso: há tempos que não lia e esse facto começava a toldar-me o raciocínio, a criatividade e a própria linguagem. Quando não leio durante muito tempo sinto que começo a ficar estúpida, burra mesmo.
Ler é bom para o meu espírito, mas também é bom para continuar a saber falar. É que infelizmente todos os dias o português é cada vez mais assassinado, não é só pelas gerações mais jovens que só conhecem o vocabulário SMS, mas também por trintões licenciados.
Chega a magoar perceber que as pessoas estão a ficar ignorantes, não se apercebem, e transmitem isso aos mais novos oferecendo-lhe playstations em vez de livros. Não estou a ver o que pode uma playstation fazer por uma criança a não ser dar-lhe polegares maiores, mas consigo ver mil maravilhas num livro. 
Mas isso se calhar sou só eu...

quarta-feira, 21 de março de 2012

Irritam-me os chicos espertos e as pessoas que acham que sabem tudo e as que parece que vão sempre a correr para tirar a mãe da forca!

Tenho dito....

domingo, 18 de março de 2012

Não me lembrava de onde vinha a expressão "O trabalho liberta". Não dei com a sua origem (também não procurei muito), mas dei com uma das suas utilizações. Diz a Wikipédia que esta máxima estava escrita nos muros de Auschwitz ("Arbeit macht frei"). 
Cresci com a ideia que podia escolher aquele que seria o meu trabalho de sonho. Ensinaram-me que se me esforçasse, se estudasse, se provasse o meu valor alcançaria o sucesso.
No outro dia em limpezas dei com testes meus: excelentes, muito bons, 18 e 19 em praticamente todos os exames nacionais. Dez anos passados sobre a entrada na universidade num curso que pensei ser útil à humanidade, o esforço não compensou, o trabalho não liberta, o curso não é útil à humanidade e todos os dias eu comprovo que nesta sociedade quem não come é comido.
Desinteressei-me. Pelos livros, pelo conhecimento, pela humanidade...
E todos os dias vejo malta desanimada e outros que dizem: quem não arrisca não petisca. E a gente arrisca e depois? A coisa corre mal, ou somos levados por parvos e lá se vai mais um sonho! E outro... e outro!
O mundo não é pacífico, não é cor-de-rosa, não é simpático.
E todos os dias tenho de me tentar lembrar das coisas boas e básicas. Mas há dias que isso não chega, não chega mesmo.
E vejo amigos queridos com o mesmo desânimo e desespero e não vejo outra saída senão ganhar o Euromilhões, coisa que também não vai acontecer.
Porra pá! 


Olha, isto é que era, mas nem para uma coisa destas tenho coragem porque tenho medo, tenho sempre medo de não me safar, de não ser capaz, do sonho correr um bocado mal como aqui ao Alex Supertramp...