quarta-feira, 30 de maio de 2012

Perdi todos os documentos do meu computador. Uns asnos que trabalham na loja de informática recuperaram uma pasta com meia dúzia de coisas e acharam que era tudo o que eu tinha no PC. O grave da situação é que não me importo.
Já estou por tudo. Neste momento, como não quero deixar a cabeça ceder porque isso é assumir fraqueza, estou à espera que o corpo ceda. E não sei se não estará para breve! Há dias que espero que sim, que seja para breve. Estou estafada!

terça-feira, 22 de maio de 2012

Considerações parvas só porque me dói demais a cabeça para conseguir cumprir as minhas tarefas laborais!

Há coisas que me deixam estúpida nas questões do desemprego. Quando estava inscrita no centro de emprego, por ser licenciada, não havia um único módulo ou curso em que eu me pudesse inscrever, como se um licenciado soubesse tudo ou não tivesse o direito de ocupar o seu cérebro com mais conhecimento ou alguma ginástica mental. Cheguei a dizer que renunciava ao subsídio de alimentãção que dão nesses cursos e que pagava a frequência do módulo, mas a resposta era sempre a mesma: "não temos formações para licenciados no IEFP".
Agora andam com as medidas de estímulo ao emprego. Tanto os estágios profissionais como a medida estímulo 2012 são para desempregados considerados de longa duração. Ora, imaginem-me empregada, a ganhar um mau salário e ainda por cima longe de casa o que acarreta mais gastos em combustível, vejo de repente uma proposta de emprego que me enche as medidas ou que é bem mais próxima de casa e, imagine-se, nem posso concorrer, porque é SÓ para desempregados de longa duração por ser co-financiada.
Bummer!
Sou fã do sistema americano: salários base mais altos e ganhas o que trabalhas. Se trabalhas 365 dias/ano é isso que ganhas. Se tirares férias não ganhas. Se quiseres trabalhar dois turnos é isso que ganhas. Se trabalhares metade do turno só ganhas metade do turno.
Assim talvez pudéssemos contratar e descontar para pessoas durante uma semana se fosse essa a necessidade, sem termos de recorrer à chulice que é o trabalho temporário.
Só não me agrada grandemente o sistema de saúde e a questão das reformas, mas por cá isso também está escasso portanto por mim era adoptar o salário à semana, de acordo com o que se trabalha, e cada um fazia a sua poupança reforma.
Assim pago impostos para tudo: para ter o direito de comprar a minha comida, por ter o meu terreno, por ter o meu carro, pelo direito a andar vestida e o que recebo em troca é que não terei reforma, não posso construir no meu terreno uma casa para mim porque é área verde (até podia ser área fucshia, então a porra da terra é minha!), se tiver o vidro do meu carro rachado e não tiver dinheiro para o substituir sou multada, sou mal atendida no sistema de saúde para o qual desconto e onde para me fazerem um simples exame tenho sempre de apelar ao sentimentalismo da médica dizendo que o meu pai morreu de cancro e que eu tenho muito medo de ficar doente!
Que país é o meu? Que mundo é o meu? O mundo não precisa ser perfeito, mas podia ser melhor se não andássemos todos mais ocupados a olhar para o nosso umbigo e a jogar com interesses que favorecem apenas alguns.
Digam-me senhores governantes, mais ou menos vigaristas, se os vossos países falirem vão encher os bolsos para onde? E já agora, quando morrerem vão deitados, e terão vermes a alimentarem-se da vossa carnita tenrinha como qualquer um de nós. Ah! e se levarem dinheiro no bolso, não stressem, os vermes comem também!

quinta-feira, 17 de maio de 2012

Há vidas pouco esdrúxulas

Como é que é possível que uma pessoa, por honestidade intelectual, decida que não quer mais saber da maioria dos seus amigos? Ah e tal, eles desapontaram-me... e coiso, e é preferível afastar-me do que fazer fretes e prontos!
Isto lembrou-me logo uma questão bastante debatida: os divórcios. Para mim um amigo a sério é tão importante como o cônjuge. Escolhemos a pessoa com quem queremos casar para a vida, e os amigos, aqueles mesmo mesmo amigos também são para a vida certo? Ou deveriam ser...
Os divórcios têm sido às paletes (parece-me que por causa da crise vão diminuir que é mais fácil quando são 2 a pagar as contas), porque à primeira dificuldade viramos as costas e vamos embora, sem pensar numa solução, na hipótese de perdão, na compreensão da outra parte, da sua realidade, da sua educação. As pessoas não são perfeitas, fazem e dizem coisas sem pensar. Às vezes podemos dar uma "facada" num amigo ou no cônjuge pelas costas porque estávamos aborrecidos, tristes, magoados ou só stressados e a solução não pode ser cortar os laços à primeira.
Tenho muita dificuldade em perdoar realmente, mas faço um esforço. Fiquei abismada ao conhecer uma pessoa que decidiu cortar os laços com quase toda a gente que fez parte da sua história e, ainda por cima, se combinar uma saída com os poucos que manteve no seu restrito círculo de amigos os que foram banidos não podem estar presentes mesmo que vão com algum daqueles que ele considera amigos, porque senão as trombas são mais que muitas... Se um amigo próximo me dissesse: não vou a tal sítio porque está lá fulano que eu não gosto, eu ficava magoada. Gostaria de ter todos presentes e esperaria que um amigo fizesse um esforço de fazer um frete para me agraciar com a sua presença.
Mas agora que penso nisso, um dos meus grandes amigos de sempre também não fazia fretes, também era anti-social, e tanto era contra "rebaixar-se" ao plano terrestre de conviver com pessoas que nunca mais soube dele.
E só por isso agora vai levar com o seguinte e-mail: "Olá J., hoje lembrei-me de ti e ao contrário de outros dias em que me lembrei de ti e esperei que a lembrança fosse embora, desta vez achei que era um bom dia para dizer olá!"

segunda-feira, 14 de maio de 2012

Estou mesmo com dificuldades em trabalhar. O ambiente é irrespirável por diversas razões uma das quais se deve ao facto de estar realmente constipada e trabalhar com alguém que não consegue viver sem ar condicionado. Ora, neste momento os meus pulmões não conseguem viver com ar condicionado.. Mas ele é o chefe né!
E o ambiente também é irrespirável porque estou farta, e nem vale a pena elencar as razões que são tanto inerentes à profissão quanto à minha vida pessoal neste momento. Estou farta!
O dia de ontem também não ajudou. Fui a um encontro de preparação para o casamento e um dos temas foram os filhos. "Já pensaram como seria se um de vós não pudesse ter filhos?" (E não é que já pensei nisso senhores). Alguém respondeu logo que se não fosse mãe a sério seria mãe do coração. Também sou a primeira a dizer isso, a pensar em adopção, mas parece que falta um bocado de mim por pensar que posso passar a vida sem saber qual é a sensação de estar grávida, de gerar uma pessoa quando parece que essa é uma necessidade vital que me nasce das entranhas.
O pior é que quanto mais velha mais medricas me vou tornando. Começo a pensar que mesmo que o tratamento seja possível posso deparar-me com um aborto espontâneo, uma deficiência, uma doença crónica da criança. Traço logo o worst case scenario. E não consigo mesmo evitar, nem ser positiva, nem concentrar-me no trabalho nem em porra nenhuma!
Damm!!!!

sábado, 12 de maio de 2012

Olá praia...

... ou não!

Com um sol e um calor maravilhosos e eu estou RANHOSA! E precisava taaaantoooo de bronzear um pouco as perninhas e os ombros para um casamento que está ai à porta.
Xiça penico, o mau karma parece estar sempre à espreita, mesmo nestas coisinhas pequeninas!

sexta-feira, 11 de maio de 2012

Uma amiga comentou o seguinte no Facebook:

"Não, não tenho dinheiro para ir à queima, não posso comprar bilhetes pra concertos ou festivais, ir beber um copo com as amigas. Não tenho gajos atrás de mim, nem casa própria e mal consigo pagar a prestação do carro. Mas tenho uma coisa que vale por tdas as bebedeiras, festas, flirts e independência - tenho a minha filha que é MINHA. E vem hoje!!!! bom dia***"
E não há melhor forma de dizer que eu trocava o meu carro, o meu emprego razoavelmente pago por um menos bem pago, a casa que estou a pagar por esta alegria, e por ter o meu pai por perto. E enquanto continuo a desesperar por uma resposta continuo a engolir em seco quando ouço malta enxofrada com coisas que para mim são pseudo-problemas (mas que para essas pessoas serão problemas enormíssimos).
Voltamos sempre ao mesmo, se calhar raras são as pessoas completamente felizes ou se calhar eu conheço pouca gente!


P.S. E para compor o dia acabei de ouvir o meu colega de trabalho dizer que não vale a pena investir em mim para me ensinar certas coisas só porque eu comentei que talvez fosse a uma entrevista para um emprego que me pareceu interessante, para sondar mercado e ver oportunidades e quanto é que se paga por aí. Não deixa de ser positivo. Assim pode ser que ele me deixe ficar por aqui só a mandar e-mails, a atender telefones e a fazer o expediente!

quinta-feira, 10 de maio de 2012

E ainda as pessoas que me irritam...

Dói-me a garganta por causa deste tempo malandro e dói-me a alma por causa das pessoas que me irritam. Mas porque carga de águas é que se põem com discursos moralistas que eu sou colega e não subordinada e depois sobra p'ra mim?!
Isso, venha a graxa e as formas disfarçadas de dizer: olha, faz lá ai mais qualquer coisinha que essas merdas pequenas a mim não me assistem, estou aqui a fazer coisas mesmo importantes e tal!

P.S. E também não posso responder aos meninos sem ser com um sorriso senão ficam magoados. Talvez se  tivessem a minha dor de garganta e adorassem tanto quanto eu o que estou a fazer compreendessem melhor o meu humor. Além disso não está escrito em lugar nenhum que tenho de ser a Miss Simpatia pois não?
Ai que nervos minha gente, a sério, que nervos!

AAAARGHHH!

É que há pessoas mesmo mesmo mesmo irritantes, para quem nada está bem. Então façam vocês a porra das coisas em vez de me esgotarem a paciência!

"Voltámos para casa anteontem, nesse dia sagrado. Não há no mundo maior delícia do que a normalidade. Cada palavra da Maria João soa-me a música amada. Nos livros avisam que a remoção de tumores cancerosos do cérebro pode provocar alterações de personalidade. 
Eu tinha medo que ela deixasse de ser a Maria João que eu amo. Mais medo ainda tinha que ela deixasse de me amar. A primeira vez que a vi, poucas horas depois da cirurgia, no remanso dos cuidados intensivos, perguntei-lhe se ela me reconhecia. E ela recuou a cabeça ligada, fez uns olhos de surpresa repugnante e perguntou, com convencimento: "Mas quem é o senhor?" 
Nem sequer foi o sentido de humor a primeira coisa a regressar. Nunca se foi embora. A Maria João não recuperou: manteve-se. O milagre não lhe era exterior. O milagre é ela. Ela e todas as pessoas de quem ela gosta, que gostam dela. 
Eu bem que tento guardá-la como um segredo. Mas só estou bem, quando tenho a sorte de ouvi-la e a vê-la e a vivê-la. Escrever sobre ela é a coisa mais fácil que faço: é uma preguiça e um prazer, como se conseguisse enganar quem me lê. É virar as costas ao mundo, que vai tão mal. Mas que é um mundo que ainda contém a Maria João, a pessoa que eu amo, que ainda aceita o amor que lhe tenho. Que cresce, ao contrário do cabrão do cancro, previsivelmente, certamente, sem fazer mal; fazendo bem. 
Meu grande amor: seja de que maneira for, continua. Mesmo deixando de gostar de mim. Mas continua. Vive!"

Miguel Esteves Cardoso, in Público, 06.05.12

Ainda ontem conversava sobre isto, sobre o cancro. Não sei se tinha coragem para tratar um cancro. As operações até nem devem ser o pior. A quimioterapia, a injecção de químicos para dentro das minhas veias é que me trama. Não sei se conseguia nem se queria passar os últimos dias da minha vida mal disposta... Espero nunca ter de pensar nisso a sério, mas não sei mesmo se conseguia.

De qualquer forma, ler isto sossega uma dúvida que me acordou justamente esta noite. Acordei de madrugada a pensar que em Setembro vou casar e isso para mim significa assumir um compromisso para a vida. Não é como comprar uma roupa que, por mais cara que seja, podemos deixar de usar de deixarmos de gostar dela. Não é como arranjar um emprego e depois decidir de um dia para o outro que não gostamos daquele emprego.
É assumir que aquela pessoa se torna uma parte de mim, e partes de nós não se cortam levianamente certo?
E depois vejo amor escarrapachado desta forma, por mais do que uma vez, nas páginas de um jornal e fico feliz e tranquila e com mais força para assumir este compromisso.
Só espero que o MEC e a sua Maria João ainda possam passear muito de mãos dadas na rua, até serem bem velhinhos, e que quando um tiver que partir o faça tranquilamente, e que o outro o siga, naturalmente, porque depois é chato e aborrecido e insignificante continuar por cá depois de se perder a pessoa com quem se partilhou a vida. 

quarta-feira, 9 de maio de 2012

O meu problema é maior do que o teu na na na na na na!

É engraçado trabalhar diariamente no mesmo espaço com outras pessoas e verificar os pequenos problemas que elas vão partilhando directamente ou que acabam por partilhar ao tratarem de assuntos ao telefone.
E é ainda mais engraçado que cada um de nós considere os nossos problemas mais graves que os dos outros e nos achemos no direito de os partilhar e de andarmos de mau humor por causa deles e de chatear o próximo com eles.
Quando os problemas são mesmo graves não os partilhamos no local de trabalho, isso é ultrapassar os limites.
Na semana passada alguém no escritório se queixava que sustentava os pais. Tinha mesmo de receber a horas porque tinha prestações de dívidas para pagar.
Ontem outro passou todo o dia de trabalho a ligar para 300 institutos para se informar como se defendia de uma queixa de ruído. Ele tem um cão e há um vizinho (um único) que se queixa e ele tem receio que o obriguem a dar o cão ou assim.
Eu passei parte da manhã a tentar ligar para o Santa Maria para ver se consigo procriar ainda nesta vida.
Eles partilham aqui no escritório todos os seus vastos problemas. Eu fico calada. Não me apetece partilhar. Também só falei da doença do meu pai depois do meu pai falecer. Só irei dizer alguma coisa sobre a minha incapacidade de conceber se algum dia perceber que alguém está na mesma situação e necessita de alguma indicação e se eu tiver sido bem sucedida.
Isto dos problemas é curioso numa área mais abrangente. Ainda esta manhã ouvia um membro do movimento anti touradas na rádio e pensava: se um touro te encontrar num campo deve ter muita pena de ti! Ainda que num espectáculo se ridicularize o animal, não será preferível primeiro salvaguardar os direitos humanos. Por mais que goste dos meus animais de estimação não consigo deixar de pensar que há seres humanos a viverem em piores condições que eles.
E volto à vaca fria: para a minha colega o maior problema do mundo é o dela porque tem dívidas, para o meu colega é o dele porque se lhe tiram o cachorro ele fica sozinho, para o senhor do movimento anti-tourada é o touro ser ridicularizado porque é um ser vivo (já agora, as alfaces também são seres vivos). E eu acho que é o meu, e ver bebés começa a deixar-me triste em vez de feliz, e a inveja das minhas amigas grávidas é um sentimento muito feio, e pronto, o ser humano é um bichinho complicado!