Tenho andado super nostálgica. Acho que é do casamento. Não sei se é normal. Há recém-casadas que dizem que sim, há outras que não lhes faz espécie. Mas, caramba, é o meu primeiro compromisso para a VIDA. Eu encaro o enlace como uma coisa muito séria... Acho mesmo que é o caminho natural para as coisas: primeiro casamento e depois filhos, porque se não somos capazes de nos comprometermos com alguém de quem podemos eventualmente separar-nos (embora não seja essa a minha intenção), como é que nos comprometemos com uma criatura que será sempre do nosso sangue independentemente de todas as contrariedades e catástrofes que essa relação possa acarretar?
A propósito de uma
dissertação da Pipoca sobre a tendência feminina para a burrice quando se trata de coisas do coração veio-me novamente à memória o meu primeiro grande amor. Lembro-me de estar tremendamente apaixonada e, por isso, fiquei ainda mais decepcionada quando ele não esteve à altura de todo o amor que eu sentia.
Fiquei angustiada, dprimida, desesperada, desolada (e um monte de outros adjectivos terríveis e tristes), mas achei que tinha de colocar um fim a uma relação que não era nada daquilo que eu sonhava para um grande amor.
Nunca fui muito virada para isto do romance nem tinha grande confiança na minha capacidade de engate, mas chegou o R. à minha vida e diz-me: "Podia perder-me no teu sorriso". E ele sempre teve jeito para palavras, mais do que o meu futuro marido que é um romântico um pouco desajeitado que acha bem roubar flores nos quintais dos vizinhos para me oferecer (e que fofo que isso é!).
Mas eu teimei em ficar presa ao passado. Sentia que estava a trair o meu amor, que ele ia cair em sí e vir pedir-me para reatar e prometer que estaria ao meu lado não só nas noitadas da universidade mas naqueles momentos mesmo merdosos. Eu acho que é isso que muita gente não entende nas mulheres. Para o sexo não precisamos de um parceiro, para isso há vibradores. Precisamos de parceiros para partilharmos as coisas que nos deixam soberbamente felizes ou estupidamente tristes ou preocupadas. E não tenho a certeza se na mente deles a coisa se processa da mesma maneira.
Enfim, eu não parecia querer uma pessoa que se perdesse no meu sorriso (e que ainda por cima era bem jeitoso). Eu queria uma pessoa que me tirava o ar de tanto desapontamento que me causava.
E o R. seguiu em frente, eu não me perdi no sorriso dele. Ontem encontrei-o depois de 7 anos e, no meio de toda a incerteza (pessoal e profissional que a coisa nesse campo também é uma incógnita) e nostalgia que me tem assaltado, fico a pensar onde é que eu estaria se não tivesse sido burra, se tivesse permitido que alguém me lambesse as feridas. Talvez estivesse exactamente no mesmo sítio, mas com uma história bonita para contar pelo meio em vez de mais um ano de choro sobre o leite derramado.
Seriam precisas 20 vidas para vivermos todas as histórias paralelas que deixámos. O meu mal é ser curiosa e querer saber sempre todos os finais. Sempre fui assim, tanto que ficava frustrada por não passarem os dois finais do Você Decide ou não passava sem ler todos os finais das histórias do Tio Patinhas em que íamos tomando as decisões pelas personagens.
Aqui estou eu com 30 anos a pensar nestas coisas e trabalho com miúdas de 17 e 18 que têm exactamente os mesmos problemas e a Pipoca fala de uma mulher de meia idade com as mesmissímas questões.
Sim, somos burras
ad eternum. Não sei se os homens têm as mesmas questões, acho que eles não são muito de partilhar estas coisas ou acham que não é de macho.
O que eu gostava à séria era de não me moer com estas coisas. O que eu gostava mesmo era de ser a Samantha do "Sexo e a Cidade": uma boazona com cérebro de homem e não uma mariquinhas com palas ao lado dos olhos!