Arseniy Lavrentyev
Este rapaz foi à final da maratona de natação. Ficou em 19.º lugar. Não é brilhante (como não tem sido a participação portuguesa mas, enfim). O rapaz nasceu russo e naturalizou-se português em 2008. O caso deste moçoilo fez-me pensar nas vozes que se levantam cada vez que alguma figura conhecida de alguma área se quer tornar português. Com o Deco foi um carnaval, novo festival com o Obikwelo (acho que se escreve assim :P) e se este rapaz ganhasse alguma coisa caía logo o carmo e a trindade que a gente não gosta de ouvir o hino com sotaque.
Não tenho nada contra quem pede a nossa nacionalidade, a não ser achar que devem estar parvinhos de todo. Venham mais, mais estrangeiros para fazerem trabalhos que não queremos, para irem a finais olímpicas mesmo que fiquem em 19.º lugar, ou para ganharem medalhas, para marcarem golos, para balbuciarem o hino com ou sem sotaque.
Afinal os imigrantes que escolhem Portugal e se naturalizam são como um filho adoptado. Os pais são quem cria não quem só procriou. Assim são as pessoas: país é aquele que acolhe, não necessariamente aquele em que nascemos e onde, por vezes, podemos ter sido maltratados.
E parece-me que este rapaz não deve ter escolhido Portugal pelas excelentes condições de treino. É que consta que a Rússia tem condições muito boas e é bastante exigente com os seus atletas.
Somos sempre referidos como um povo hospitaleiro, mas ultimamente acho-nos tão xenófobos, sempre com aquela dorzinha de cotovelo relativamente a estrangeiros que vêm para nos roubar, para ocupar os nossos trabalhos, para roubar o nosso tempo na ribalta.
