Apesar de ele ter dito quaisqueres em vez de quaisquer o homem escreve lindamente. As viagens descritas no "SUL" lembram-me em alguns casos os sons, as cores, os cheiros do Brasil, de Angola, de Praga (onde pela primeira vez senti cócegas no nariz por causa da neve e aquilo soube tão bem), até do interior "desquecido" e "ostracizado" de Portugal, de tantos sítios onde tive a felicidade de já ter estado.
Os sons e sabores e cheiros e cores nem sempre são os melhores. Muitas vezes são maus mesmo. Mas são diferentes, e por serem novidade tornam-se bons, tornam-se sensação, história para contar a outras gerações.
Quando falo em Angola não é para dizer apenas "Eu já lá estive", é antes de mais para me recordar disso, e da alegria da viagem, da chegada e da estadia. Só a partida é que não sabe bem, mas o encanto de uma viagem curta é a paixão que deixa e a vontade de regressar, e cada vez que se regressa talvez se leve um olhar novo, pronto a descobrir ainda mais coisas, a partilhar mais experiências, a enriquecer mais a vida de quem se cruza.
Mais importante que isso: há tempos que não lia e esse facto começava a toldar-me o raciocínio, a criatividade e a própria linguagem. Quando não leio durante muito tempo sinto que começo a ficar estúpida, burra mesmo.
Ler é bom para o meu espírito, mas também é bom para continuar a saber falar. É que infelizmente todos os dias o português é cada vez mais assassinado, não é só pelas gerações mais jovens que só conhecem o vocabulário SMS, mas também por trintões licenciados.
Chega a magoar perceber que as pessoas estão a ficar ignorantes, não se apercebem, e transmitem isso aos mais novos oferecendo-lhe playstations em vez de livros. Não estou a ver o que pode uma playstation fazer por uma criança a não ser dar-lhe polegares maiores, mas consigo ver mil maravilhas num livro.
Mas isso se calhar sou só eu...
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