Já vivi o dia mais triste da minha vida, e já vivi o mais doloroso. Já tive dias muito decepcionantes... O dia mais feliz? Ainda estou a espera dele acho eu. Para já, a coisa que mais se assemelha a um esgar de felicidade maior foi o dia em que me apaixonei pela primeira vez. Foi a única vez (que me lembre) que senti borboletas no estômago (e a ansiedade de o ver, e o coração a sair do peito...).
Alegra-te miúdo, foste o único que me deste borboletas no estômago e depois ficaste com elas. E o que eu as queria de volta...
Já soube que ter filhos vai ser difícil, já descobri que quem diz que podemos sempre realizar os nossos sonhos com certeza já realizou os seus, ou então não, mas quer convencer-se disso e então tem de repetir muitas vezes, e todos os dias percebo a inutilidade e futilidade do meu trabalho.
Também descobri os risos e as cócegas, e que a minha cadela mais velha gosta de se atirar à água na praia, mas a mais nova não, descobri que elas vêm quando eu as chamo.
Percebi que toda a gente fala mal de alguém, que há gente que acha que eu tenho a mania (isso de achar que alguém tem a mania é uma coisa assim que não sei bem explicar), que não me importo que achem isso porque tenho uma família para onde voltar e amigos que gostam de mim.
Só ainda não percebi como lidar com aqueles dias em que a ausência de borboletas, de filhos, de um trabalho útil à humanidade anulam, sufocam, aniquilam os risos, os banhos da minha cadela, a minha família, a certeza das minhas amizades!
A vida é extraordinária, com toda a dor e a maravilha, a incerteza e a alegria, a impotência e o amor. De que outra forma lhe podemos dar valor senão assim?
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