Cresci com a ideia que podia escolher aquele que seria o meu trabalho de sonho. Ensinaram-me que se me esforçasse, se estudasse, se provasse o meu valor alcançaria o sucesso.
No outro dia em limpezas dei com testes meus: excelentes, muito bons, 18 e 19 em praticamente todos os exames nacionais. Dez anos passados sobre a entrada na universidade num curso que pensei ser útil à humanidade, o esforço não compensou, o trabalho não liberta, o curso não é útil à humanidade e todos os dias eu comprovo que nesta sociedade quem não come é comido.
Desinteressei-me. Pelos livros, pelo conhecimento, pela humanidade...
E todos os dias vejo malta desanimada e outros que dizem: quem não arrisca não petisca. E a gente arrisca e depois? A coisa corre mal, ou somos levados por parvos e lá se vai mais um sonho! E outro... e outro!
O mundo não é pacífico, não é cor-de-rosa, não é simpático.
E todos os dias tenho de me tentar lembrar das coisas boas e básicas. Mas há dias que isso não chega, não chega mesmo.
E vejo amigos queridos com o mesmo desânimo e desespero e não vejo outra saída senão ganhar o Euromilhões, coisa que também não vai acontecer.
Porra pá!
Olha, isto é que era, mas nem para uma coisa destas tenho coragem porque tenho medo, tenho sempre medo de não me safar, de não ser capaz, do sonho correr um bocado mal como aqui ao Alex Supertramp...
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