quinta-feira, 29 de março de 2012

Ver a Anatomia de Grey faz-me filosofar demasiado. Neste momento a Meredith Grey está a sonhar como seria a sua vida se tivesse feito outras escolhas. Curioso, eu penso nisso quase diariamente: como é que teria sido a minha vida se todas as escolhas tivessem sido diferentes?
Se as escolhas do meu pai tivessem sido diferentes, ele talvez não tivesse ficado doente. Se o meu avô não tivesse dado o lugar dele a um compadre na fila da moagem do azeite para que o homem regressasse mais cedo a casa não estaria no sítio exacto à hora exacta para ser atropelado e não tinha morrido. Se o condutor que o matou não tivesse decidido voltar à tasca para beber mais um copo, não teria feito uma manobra brusca e não o tinha apanhado na berma da estrada.
É como se o universo se conjugasse para que tudo acontecesse à revelia daquilo que esperávamos que acontecesse. Fico sempre intrigada com a conjugação das coisas. Tu é que escolhes o caminho ou o caminho é que te escolhe?
Então, aqui estou eu, a filosofar... e com medo das decisões. De todas as decisões. Como se qualquer decisão, até a de me levantar às 7h31 em vez de me levantar às 7h30 esta manhã pudesse ter alterado toda a minha existência. E talvez tenha alterado, só que eu ainda não sei.
Eu já conhecia o homem com quem vou casar. Conheci-o na universidade. Uma noite o namorado da minha colega de quarto ficou a dormir lá em casa e levou-o para dormir lá também. A minha amiga dizia-me que ele era mesmo indicado para mim. Ficámos a conversar na varanda durante uma série de tempo. Não nos encontrámos mais depois disso, mas curiosamente começámos a namorar pouco tempo depois... com outras pessoas entenda-se.
Para ele foi a primeira relação séria (nunca percebi se foi amor pela forma como fala dela). Para mim, foi o meu primeiro amor. Já tinha tido achaques adolescentes daqueles que achamos que nos matam de dor e que são, à época, com certeza, amor, tragédia...Já tinha tido uma paixão avassaladora. Já tinha tido amor platónico. Daquela vez foi amor. E ao contrário dos contos de fadas não fomos felizes para sempre.
Nem ele foi. E, por isso, anos depois o mesmo amigo que o tinha levado a minha casa, esqueceu-se de uma chave e teve de pedi-la à mulher (a minha colega de quarto), e este ano vamos casar. E já não é uma amor adolescente. Pelo menos acho que não. A gente discute para caraças sobre coisas parvas, mas nas coisas sérias, por mais que digamos o contrário, estamos de acordo.
Nós não podemos ter filhos, pelo menos de forma natural. Estamos à espera de uma consulta. E, de repente, um homem que dizia que só nós os dois seríamos felizes, é o primeiro a querer ir à consulta. Não sei se é para me fazer feliz, se é porque também percebeu que queria ter filhos, mas quer ir à consulta.
Nestas alturas penso se foi o destino que me fez estar aqui, em 2012, sem um pai e sem um avô para me levarem ao altar (que era uma decisão que me atormentava em criança quando sonhava com o meu matrimónio), à beira de casar com um homem com quem não posso conceber mas que nem sonho em deixar por causa disso (apesar de até há bem pouco tempo o meu grande sonho seria ter pelo menos 3 filhos) e com um emprego que me obriga a estar a uma secretária quando estou sempre em pulgas para estar em movimento.
Somos nós que escolhemos o caminho ou ele é que nos escolhe?
Tenho de deixar de ver a Anatomia de Grey... Ou não, porque gosto de pensar que, por maior que uma adversidade possa ser ou parecer aos nossos olhos, cada um de nós está exactamente onde deveria estar!

23h55>> Acabei de descobrir que ele guardou o primeiro cartão de aniversário que lhe dei, há mais de 6 anos, quando ainda nem namorávamos! E no episódio da Anatomia de Grey, depois de terem tomado caminhos totalmente diferentes, todos acabaram exactamente no mesmo lugar. Talvez seja mesmo assim, quaisquer que sejam os caminhos, cada um de nós está exactamente onde deveria estar!

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