quinta-feira, 8 de novembro de 2012

Sobre o que achamos que precisamos

Não vou enganar ninguém: adoro viajar, adoro ir comer fora, adoro o meu casaco de pele que custou 90 contos aqui há uns 5 anos e que já quase não me fecha nas mamas, adoro o meu IPhone (mas este veio à borla da Vodafone senão não sei se dava 500€ por esta porra ou se ia antes a Paris mais uma vez), adoro a minha casa que levarei uma vida a pagar e isto se mantiver o meu emprego.
E digo mais: morro de inveja de quem pode viajar sempre, de quem faz disso profissão (a minha cunhada é hospedeira de bordo e eu roo-me toda de cada vez que ela me manda as fotos dos sítios por onde vai passando, já que alguns desses países não vou poder visitar nem que me pinte de dourado, isto porque as probabilidades de eu vir a ganhar o euromilhões, com a sorte que tenho, são negativas), de quem pode ir a bons restaurantes experimentar comida da boa.
Adoro tudo isto porque tive oportunidade de experimentar e, verdade seja dita, quanto mais temos mais queremos.
Mas também já passei momentos em que não tive nada disto. Na minha infância tinha uma mobília velha que tinha vindo da casa da minha bisavó, 2 barbies, 1 elástico para saltar e muitos livros. Não ia a centros comerciais, ia antes passear de carro pela serra com os meus pais. Raramente comia em restaurantes, era mais em tascas. Às 21h00 dava o vitinho e ia dormir e, muitas vezes, quando acordava de manhã não estavam a dar bonecos, tinha de esperar pelas 7h00 para desaparecer o indicativo e poder ver tv.
Já em adulta lidei com pessoas que dormem em redes, fazem farinha de milho com um pilão, plantam o que comem, vão buscar água ao poço com alguidares, constroem as suas casas com barro e palha. Também já estive ao pé de pessoas que passam fome, se querem ir à escola andam km's, aproveitam todas as linhas do caderno e gastam o lápis até ao fim. E sobrevivem.
Acho que temos de achar um meio termo. Acho que podemos habituar-nos a voltar a ser felizes com menos. Menos consumismo iria beneficiar as relações interpessoais sem sombra de dúvidas.
Nós achamos que precisamos de muita coisa, mas na realidade podemos viver com bem menos. Por isso não vejo o porquê de criticarem a Isabel Jonet quando ela diz que há coisas onde podemos cortar, e por isso gosto à brava desta crónica.

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