quinta-feira, 7 de março de 2013

PQP

É muito mau quando o trabalho comanda a nossa vida certo? Quando escolhi o que queria estudar pensei em algo que considerei ser a profissão que me faria feliz. E acho que faria, se conseguisse exercê-la de forma isenta e em concordância com aquela que é a sua ética e deontologia.
Num mundo rapidamente em mudança, os jornalistas têm enormes responsabilidades sociais. Agora, por exemplo, foi uma notícia de jornal a criar uma tensão desagradável entre Angola e Portugal, que pode comprometer as relações comerciais e diplomáticas entre os dois países.
Ora, nem eu exerço a profissão nem concordo muito com o que vejo em alguns jornais e telejornais. Provavelmente se fosse jornalista hoje estaria tão infeliz com a minha profissão como estou enquanto secretária.
A agravante neste momento é que tenho em crer que vir trabalhar me está a afectar a tensão arterial e estou a desenvolver o síndrome de Tourette. E mais, detesto desejar mal a alguém, mas neste momento desejo tanto bem à minha chefe como ao Relvas, ou seja, uma dor de barriga ininterrupta por 24 horas pelo menos. Já que aquelas cabecinhas só produzem bosta, ao menos que saísse pelo sítio certo.
Há quem possa pensar que reclamo de barriga cheia, mas caramba, a inevitabilidade de termos que aturar gente malcriada, incompetente e má porque temos contas para pagar ao fim do mês é muito triste.
O capitalismo tornou-nos tão escravos quanto os prisioneiros que construíram as pirâmides do Egipto. As chicotadas não são físicas, são psicológicas. Se uma chicotada física vai sarando, a psicológica vai moendo, mesmo em sonhos.
E fico a pensar o que é pior.
E fico a pensar que o que se passa nesta empresa, comandada por gente estúpida, é o que se passa no meu País.
E fico a pensar que somos tratados por quem nos comanda como seres menores, cujas manifestações de desagrado não importam, porque o que importa é o défice, e é faturar, e é a pessoa que manda ter razão mesmo quando não tem.
E essa chicotada vai-me doendo no cérebro desde que cruzo a porta do trabalho até muito depois de sair daqui!

2 comentários:

Analog Girl disse...

Subscrevo. A realidade deste país é tão triste que desanima qualquer um. Mas havemos de descobrir como rever a nossa vida. E acho que já faltou muito mais.

Missy disse...

Também acho que já faltou muito mais quando as manifestações se repetem e as pessoas, mesmo que seja a pensar no seu umbigo, tornam a sair à rua e a expressarem a sua opinião. Mas depois vejo o quanto os nossos políticos são autistas e desanimo novamente.
Enfim, a História ensinou-nos que as crises são cíclicas, que não há crescimento sem um período prévio de queda, que o crescimento não pode ser contínuo, e talvez a nossa própria mente funcione assim. Não há novo ânimo sem período depressivo.
Veremos!