Há coisas que me deixam estúpida nas questões do desemprego. Quando estava inscrita no centro de emprego, por ser licenciada, não havia um único módulo ou curso em que eu me pudesse inscrever, como se um licenciado soubesse tudo ou não tivesse o direito de ocupar o seu cérebro com mais conhecimento ou alguma ginástica mental. Cheguei a dizer que renunciava ao subsídio de alimentãção que dão nesses cursos e que pagava a frequência do módulo, mas a resposta era sempre a mesma: "não temos formações para licenciados no IEFP".
Agora andam com as medidas de estímulo ao emprego. Tanto os estágios profissionais como a medida estímulo 2012 são para desempregados considerados de longa duração. Ora, imaginem-me empregada, a ganhar um mau salário e ainda por cima longe de casa o que acarreta mais gastos em combustível, vejo de repente uma proposta de emprego que me enche as medidas ou que é bem mais próxima de casa e, imagine-se, nem posso concorrer, porque é SÓ para desempregados de longa duração por ser co-financiada.
Bummer!
Sou fã do sistema americano: salários base mais altos e ganhas o que trabalhas. Se trabalhas 365 dias/ano é isso que ganhas. Se tirares férias não ganhas. Se quiseres trabalhar dois turnos é isso que ganhas. Se trabalhares metade do turno só ganhas metade do turno.
Assim talvez pudéssemos contratar e descontar para pessoas durante uma semana se fosse essa a necessidade, sem termos de recorrer à chulice que é o trabalho temporário.
Só não me agrada grandemente o sistema de saúde e a questão das reformas, mas por cá isso também está escasso portanto por mim era adoptar o salário à semana, de acordo com o que se trabalha, e cada um fazia a sua poupança reforma.
Assim pago impostos para tudo: para ter o direito de comprar a minha comida, por ter o meu terreno, por ter o meu carro, pelo direito a andar vestida e o que recebo em troca é que não terei reforma, não posso construir no meu terreno uma casa para mim porque é área verde (até podia ser área fucshia, então a porra da terra é minha!), se tiver o vidro do meu carro rachado e não tiver dinheiro para o substituir sou multada, sou mal atendida no sistema de saúde para o qual desconto e onde para me fazerem um simples exame tenho sempre de apelar ao sentimentalismo da médica dizendo que o meu pai morreu de cancro e que eu tenho muito medo de ficar doente!
Que país é o meu? Que mundo é o meu? O mundo não precisa ser perfeito, mas podia ser melhor se não andássemos todos mais ocupados a olhar para o nosso umbigo e a jogar com interesses que favorecem apenas alguns.
Digam-me senhores governantes, mais ou menos vigaristas, se os vossos países falirem vão encher os bolsos para onde? E já agora, quando morrerem vão deitados, e terão vermes a alimentarem-se da vossa carnita tenrinha como qualquer um de nós. Ah! e se levarem dinheiro no bolso, não stressem, os vermes comem também!
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