quarta-feira, 9 de maio de 2012

O meu problema é maior do que o teu na na na na na na!

É engraçado trabalhar diariamente no mesmo espaço com outras pessoas e verificar os pequenos problemas que elas vão partilhando directamente ou que acabam por partilhar ao tratarem de assuntos ao telefone.
E é ainda mais engraçado que cada um de nós considere os nossos problemas mais graves que os dos outros e nos achemos no direito de os partilhar e de andarmos de mau humor por causa deles e de chatear o próximo com eles.
Quando os problemas são mesmo graves não os partilhamos no local de trabalho, isso é ultrapassar os limites.
Na semana passada alguém no escritório se queixava que sustentava os pais. Tinha mesmo de receber a horas porque tinha prestações de dívidas para pagar.
Ontem outro passou todo o dia de trabalho a ligar para 300 institutos para se informar como se defendia de uma queixa de ruído. Ele tem um cão e há um vizinho (um único) que se queixa e ele tem receio que o obriguem a dar o cão ou assim.
Eu passei parte da manhã a tentar ligar para o Santa Maria para ver se consigo procriar ainda nesta vida.
Eles partilham aqui no escritório todos os seus vastos problemas. Eu fico calada. Não me apetece partilhar. Também só falei da doença do meu pai depois do meu pai falecer. Só irei dizer alguma coisa sobre a minha incapacidade de conceber se algum dia perceber que alguém está na mesma situação e necessita de alguma indicação e se eu tiver sido bem sucedida.
Isto dos problemas é curioso numa área mais abrangente. Ainda esta manhã ouvia um membro do movimento anti touradas na rádio e pensava: se um touro te encontrar num campo deve ter muita pena de ti! Ainda que num espectáculo se ridicularize o animal, não será preferível primeiro salvaguardar os direitos humanos. Por mais que goste dos meus animais de estimação não consigo deixar de pensar que há seres humanos a viverem em piores condições que eles.
E volto à vaca fria: para a minha colega o maior problema do mundo é o dela porque tem dívidas, para o meu colega é o dele porque se lhe tiram o cachorro ele fica sozinho, para o senhor do movimento anti-tourada é o touro ser ridicularizado porque é um ser vivo (já agora, as alfaces também são seres vivos). E eu acho que é o meu, e ver bebés começa a deixar-me triste em vez de feliz, e a inveja das minhas amigas grávidas é um sentimento muito feio, e pronto, o ser humano é um bichinho complicado!

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